sexta-feira, 10 de maio de 2019

Cartografia nos descobrimentos

A cartografia como elemento de leitura da história

mapa 1710Imagem relacionada
A Cartografia como Leitura da História: primeiras incursões.
 A ideia de que os mapas podem produzir uma imagem “ cientificamente ” exata do mundo, em que as informações fáticas são representadas sem pré julgamentos está bem fundada na nossa mitologia cultural. Entretanto, o mapa tornou-se um objeto opaco em sua própria imagem dado que oculta na transgressão geométrica, relações de poder e de domínio fincadas numa dimensão histórica e antropológica se perde na transposição de escalas, cores, símbolos que marcam uma concepção precisa de mundo.
Seja através de uma visão expressa nos mapas do passado, onde as técnicas empregadas eram outras, seja naqueles que as modernas tecnologias fabricam, existe sempre uma intenção por trás de cada projeto, sendo os mapas também publicações provam que cultura se estrutura espacialmente e se expressa geograficamente de modo que “o mapa permanece um modo poderoso de visualizar e representar os aspectos espaciais de como culturas se formam, interagem e mudam”. Títulos, letras, molduras, vinhetas, dedicatórias, rosa dos ventos, bordados decorativos, que poderiam incorporar motivos tirados do vocabulário mais amplo da expressão artística contribuíram, entretanto, para reforçar a significação política dos mapas.
O papel simbólico da decoração é encontrado em boa parte da história da cartografia europeia. Por exemplo, os frontispícios e títulos de numerosos atlas, definiram explicitamente, com ajuda de emblemas reconhecíveis por todos, a importância ideológica e a carga prática dos mapas. Os arcos monumentais são a expressão de um poder. O globo e a esfera armilada são associados às dedicatórias reais. A imagem integra os retratos dos reis e rainhas assim como as representações dos brasões reais. Os emblemas reais, tais como a flor de liz ou a águia imperial, suscitam igualmente pensamentos políticos e geográficos mais concretos no espaço cartografado. Os mapas, no passado, representavam pessoas importantes, nobres, bispos, símbolos da riqueza como brasões, mercadores, enfim, ter um mapa era adiantar ou confirmar uma posse.
A representação das etnias “descobertas” obedece a esta mesma ideologia.  Olhando os mapas da América do Sul no século XIV estabelecidos pelos exploradores franceses ou os mapas britânicos dos territórios africanos no século XIX, a decoração contribui para agregar uma série de estereótipos e preconceitos raciais às regiões representadas. Isto é evidente para a África. Alguns motivos utilizados sugerem que era difícil para os Europeus aceitar a idéia que a humanidade africana era diferente. Assim, nos bordados de vários mapas, os rostos africanos exibem traços europeus. Emprestava-se aos homens africanos um físico “ ideal ” e poses que se encontram na iconografia de personagens da Grécia clássica e Roma. E em conformidade com a hipótese segundo a qual os sistema políticos europeus eram universais, os chefes africanos eram geralmente representados como “ reis
Os mapas são um talismã da autoridade, a nitidez com que representam uma visão de mundo encontra sentido no uso prático que possui a cartografia, tanto no uso militar, religioso como da ocupação de novas terras, sua utilidade atravessa o sentido da opacidade do pragmatismo e se inventa como instrumento da colonização – parafrasenado Camões –  no caso dos “mundos”  que Portugal deu ao mundo, mapas, como a de outros símbolos culturais, pode ser interpretado como uma forma de discurso : deve-se encarar os mapas como sistemas de signos incomparáveis, nos quais os códigos podem ser ao mesmo tempo imagéticos, lingüísticos, numéricos e temporais, e como uma forma de saber espacial. Os mapas são essencialmente uma linguagem de poder e não de contestação.
Assim como os historiadores, o cartógrafo sempre desempenhou um papel retórico definindo as configurações do poder no seio da sociedade e registrando suas manifestações sobre a paisagem visível. Toda história cartográfica que ignora esta carga política da representação fica condenada a ser apenas uma história “ histórica ”. Um mapa pode carregar em sua imagem um simbolismo passível de ser associado à zona, à característica geográfica, à cidade ou ao lugar particular que ele representa. É neste nível simbólico em geral que o poder político dos mapas é mais eficazmente reproduzido, comunicado e percebido.
A cartografia pode ser também uma forma de conhecimento e uma forma de poder. Assim como o historiador pinta a paisagem do passado com as cores do presente, o geômetra, conscientemente ou não, não reproduz somente o entorno em sentido abstrato, mas também os imperativos territoriais de um sistema político. Seja o mapa produzido sob a bandeira da ciência cartográfica, como foram a maior parte dos mapas oficiais, ou seja um exercício de propaganda declarada, é inevitável que esteja envolvido no processo do poder. Da mesma forma, pode acontecer que algumas implicações práticas dos mapas caiam também na categoria que Foucault qualifica como atos de vigilância, sobretudo aqueles guerra, à propaganda política, à delimitação de fronteiras ou à preservação da ordem pública.
1-Ao longo deste período, a confeção de mapas foi uma das armas de inteligência especializadas para adquirir um poder, administrá-lo, codificá-lo e legitimá-lo.
2-Essas funções vão da construção de um Império mundial à manutenção do Estado-nação e à afirmação local dos direitos de propriedade individuais. Em cada um desses contextos, as dimensões do regime político e do território são compiladas em imagens que, assim como o ordenamento jurídico, fazem parte do arsenal intelectual do poder.
3- Os mapas se ajustavam tão facilmente à cultura da sociedade fundiária que eles se adequaram à estratégias diplomáticas e às manobras militares dos Estados-nações da Europa durante a Renascença.
4-Completando os traçados mais antigos, o mapa serve como inventário geográfico, de codificação da informação sobre a propriedade, as meações, os valores de locação, as práticas de cultura e os potenciais agrícolas, inventário que permite aos Estados-Nação  ver o conjunto de suas posses e melhor controlá-las.
5- Em relação aos mapas e sua simbologia eclesial: Os mapas passavam também uma mensagem secundária : não somente eles reforçavam a percepção do poderio da Igreja enquanto instituição no seio do conjunto da sociedade, mas eles registravam as hierarquias espaciais e as dominações conflituosas no seio da própria Igreja. No que concerne à hierarquia, os símbolos individualizados para os arcebispados e os bispados, sob a forma de cruzes simples ou duplas, cajados, mitras e outros paramentos eclesiásticos, testemunham a organização social da religião, no caso das populações locais, estas são representadas com símbolos de menor escala.
Os Portugueses e a Cartografia na Renascença:
Alguns fatores favoreceram a produção cartográfica em Portugal, tal como sua posição geográfica projetada para o Atlântico ou como sua falta de alternativas em relação ao contato com a restante Europa, a não ser por terras da vizinha Espanha, Estado com o qual Portugal historicamente não manteve relações amistosas. De outra feita, as relações da coroa portuguesa com a Igreja, lhe garantem acesso a diversas Bulas papais que lhe concedem primazia na ocupação do mundo a ser “descoberto”.
Tendo como objeto de estudos o reconhecimento dos caminhos que levaram ao desenvolvimento da cartografia portuguesa nos séculos XVI e XVII, de suas inovações técnicas na feitura de mapas e na abordagem cultural e políticas que aos mapas esta superentendido.
Periodização:
Uma certa noção de cartografia portuguesa se desenvolveu em correlação às disputas travadas durante a constituição dos limites do Condado Portucalense (900-1300), a partir do estabelecimento dos limites deste Estado, a cartografia ganha importância dividindo-se em três fases na elaboração de mapas com finalidades estritas: as primeiras cartas marítimas são oriundas do segundo quartel do século XV, sendo durante o período das conquistas de Dom Afonso Henrique, período não muito bem documentado; o segundo período cobre se até 1640, acusando intensa atividade entre 158-1640 por conta do estabelecimento do Tratado de Tordesilhas e marca o domínio português e espanhol referente ao mundo a ser descoberto. A contribuição da cartografia portuguesa originaliza-se pelo mapeamento da África e Brasil, sobretudo, a terceira fase de desenvolvimento da cartografia está relacionado às lutas de independência de Portugal em relação à Espanha desenvolve-se uma cartografia caracterizada pela engenharia militar.
O capítulo aqui discutido é diferenciado em três partes organizadas cronologicamente: a) a origem náutica da cartografia portuguesa; b) a cartografia gerada em torno do Mediterrâneo; c) a descoberta e o desenvolvimento da topografia e a regionalização dos mapas.
A Cartografia Portuguesa no Século XVI:
O mundo monástico da idade Média em Portugal trouxe para o plano do conhecimento um fragmento do Beatus Maps, cujo manuscrito original, realizado pelo monge espanhol Beato de Liébana, tomava por base relatos feitos por Santo Isidoro de Sevilha, Ptolomeu, o livro bíblico do Apocalipse e – mesmo que fundado numa visão “mitológica” – estes comentários traziam subjacentes a herança das  tradições árabe e judaica. Segundo esse fragmento da cartografia medieval, o mundo era dividido em quatro partes e foi este o ponto de partida para o desenvolvimento da cartografia náutica portuguesa. A cartografia desenvolvida na Idade Média esteve marcada pelas guerras cruzadas, pilhagens e pirataria. Desde o século XII surgem indícios do surgimento de uma cartografia marítima tipicamente portuguesa, com disputas entre cartógrafos genoveses, espanhóis e portugueses em torno da originalidade despes documentos.
Todavia, em outra órbita da história, o rei Dom Dinis (1261-1325), conhecido como Rei Lavrador pois foi o idealizador e executor da plantação do Pinhal de Leiria (área extensa onde se plantou uma floresta de pinheiros de cuja madeira se construíram as caravelas e renovou-se a frota náutica portuguesa) contratou um navegador genovês Emanuele Pessagno e que esteve ao serviço do rei entre 1279-1325. Com base nestas especulações, supõe-se que aí esteve a formação do núcleo inicial de formação da cartografia portuguesa, ainda que com o desvio do conhecimento das cartas portulanas italianas, e dos modernos conhecimentos de marinharia. Todavia, de forma mais documentada, pode-se afirmar que a arte de fabricação de mapas se notabiliza entre os portugueses no século XIV em razão das explorações do Mar Mediterrâneo na busca do comércio de especiarias (pimenta, cravo, etc. e  pólvora). O que marca a originalidade do desenvolvimento desta ciência entre os portugueses é a construção de instrumentos de navegação, denotando os avanços tecnológicos fincados nas descobertas do matemático Nuno Alvarez e no domínio de conhecimentos provindos de um estoque orientado pela heterogeneidade cultural, mas distintiva da Península Ibérica enquanto zona de confluência de diferentes culturas.
Sobre as importância da cartografia e sua correlação com os 2descobrimentos” a documentação é farta e variada, indo das cartas de marear encomendadas pelo Infante Dom Henrique, à crônicas que descrevem a passagem pela Guiné (1453, completadas em 1460),a  a elaboração de um mapeamento dos Açores, da costa africana e elaboração pioneira de mapas manuais, características específicas da cartografia portuguesa da metade do século XV. Inclusive são bastante fundamentadas as hipóteses de que a cartografia italiana que se mostra bastante evoluída para o Mediterrãneo parece ter se originado nos protótipos das cartas portuguesas, bastante influenciadas pela visão ptolomaica do mundo divido em quatro partes e onde não se vislumbrava, ainda , a ideia da globalidade da terra. Vistos os mares como planos e que acabariam subitamente num precipício, tratou a mentalidade do período de incorporar a visão dos monstros marinhos e de toda uma parafernália de armadilhas contidas no além’mar.
A célebre encomenda que o rei Dom Afonso fez a Fra Mauro, cartografo italiano que circulava pela família Médicis, de um mapa mundi. Comprova que o mundo renascentista europeu aumentou a velocidade de circulação da informação. Desde cedo os portugueses trabalhavam com navegadores, cartógrafos e geógrafos italianos. Em 1457  o rei português Dom Afonso encomendou o famoso mapa mundi. As relações que se estabeleciam entre Igreja, banqueiros, exploradores ultramarinos e mercadores, aliaram ao empreendimento do açúcar na Ilha da Madeira (1455), estimulava a competição entre os estados-nação e misturava um empresariamento que combinava açúcar escravos e já uma divisão internacional do trabalho, sendo Antuérpia o centro da industrialização do açúcar. Prova disso foram as viagens de Diogo Cão (1453) achando o Rio do lago no Congo, Bartolomeu Dias (1487-1488) pela costa africana, mesmo feito sendo realizado em 1520 por Francisco Alvares. Outras suposições existem em torno desse mapa mundi, sendo uma das hipóteses a de que ele tenha sido atualizado e complementado a ponto de antes de 1500 ter incorporado o território hoje pertencente ao Brasil e haver detalhado de forma suficiente toda a costa africana. Todavia, o manuseio desses documentos e a precariedade de sua conservação levou á extinção dessas provas.
As cartas portuguesas distiguiram-se pela riqueza da tomponimia, pela incorporação de elementos míticos das terras mapeadas – um exemplo disso é o caso do Brasil e as “lendas” das amazonas, por exemplo – a precisão das latitudes e que caracterizam a excelência da cartografia ante suas pares europeias. No século XVI a marca que a tornará mais importante é a clareza dos sistemas de latitudes nas cartas náuticas e uma prodigiosa referencia aos trópicos e linha do Equador nas escalas gráficas, diversificando a produção da época. Sendo este conhecimento, que demandava enorme destreza manual e perícia técnica tornou-se negócio e herança de família, com um conhecimento transmitido entre gerações. Entre estas famílias, notabilizaram-se os Reinel, família de Lopo Homem, Teixeira.
Os objetivos com que os mapas foram sendo feitos, agregaram elementos a eles, como a coloração, a indicação de produtos explorados, fortificações, cidades costeiras, cabos, pequenas ilhas, portos, é esta característica que define a cartografia do final do século XVI. No início do Séc. XVII são agregados elementos referente a uma forte observação de cunho antropológico, com mapeamento de línguas, delimitações religiosas como missões e ordens religiosas, regiões de uso agrícola, aldeamentos, fortificações militares, e adquirem as colorações tropicais. Também ferramentas importantes para as atividades económicas como o comércio que se estabeleceu entre nativos e colonizadores, ganha traços dentro dos mapas, que passam a designar as denominações dos gentios, as concentrações onde se fazem com melhor suporte o comércio e passa a abranger uma toponímia rica em tradução das línguas locais. Este desenvolvimento progressivo da cartografia se fez acompanhar da expansão ultramarina, tornando esta uma ciência complexa pelo volume de informações que foi reunindo.
A Cartografia no Brasil:
Os mapas para o Brasil, começam a ser elaborados especialmente entre 1616 e 1642, apesar de que entre 1535-1570 haver uma relativa produção identificando a região do Amazonas e o Estreito de Magalhães. O mapa que organizou o Brasil em capitanias hereditárias, por exemplo, teve como ideia mestra tanto a divisão de poder entrecortando o território em paralelos e latitudes. Este reconhecimento do território, sobretudo de sua costa, foi sendo complementado e posteriormente organizado sob o formato de Atlas. Os primeiros mapas 1502, 1503 pretendiam uma reclamação jurídica do território nas negociações do Tratado de Tordesilhas. Mapas posteriores, de uma ou duas décadas depois do achamento do Brasil, tinham por notória a riqueza de detalhes do zoneamento da madeira próxima a calha principal do Rio Amazonas, uma toponímia traduzida dos diferentes ramos linguísticos da região e a descrição detalhada do exotismo de seus habitantes.
A entrada obrigatória do português para o interior que exauriu rapidamente o pau-brasil existente na faixa litorânea, obrigou-o ao convívio com nações indígenas que já ocupavam o território, contato que levou necessariamente ao aprendizado das línguas por ali faladas. A partir da comunicação com os nativos, a cartografia toma impulso e passa a descortinar também toda a hidrografia, como principal via de interligação daquele imenso território, o conhecimento dos rios – principalmente das bacias amazónicas e do Prata – tornaram viável a exploração económica da “empreitada lusitana”. Além do levantamento da orografia, da fauna, flora e da hidrografia, a cartografia incorpora os conhecimentos que as missões religiosas geravam a partir da criação das missões, das descidas, dos aprisionamentos, dado que foi transposto para os mapas que descreviam com riqueza os costumes dos povos ali instalados.
A evolução da cartografia brasileira, a exemplo do que foi dito sobre a relação entre dominação e conformação territorial, foi sendo incrementada através das bandeiras, entradas e de expedições subsidiadas por nobres, pelo monarca

O Mapa das Cortes:
Ao longo da história, pode-se encontrar distorções intencionais do conteúdo dos mapas com fins políticos ; o cartógrafo nunca foi um artista, um artesão ou um técnico independente. Por trás do criador dos mapas se esconde um conjunto de relações de poder, que cria suas próprias especificações. Sejam impostas por um particular, pela burocracia do Estado, ou pelo mercado, estas regras podem, às vezes, ser reconstruídas a partir de um conteúdo dos mapas e do modo de representação cartográfica. Adaptando as projeções individuais, manipulando as escalas, aumentando excessivamente ou deslocando os sinais ou a topografia, utilizando cores com forte poder emotivo, os elaboradores de mapas de propaganda foram defensores de uma visão geopolítica. Uma falsificação intencional dos mapas decorre de considerações políticas, além das puramente militares. Nos mapas, as fronteiras foram objeto de distorções geográficas, as quais provêm de tentativas de afirmar pretensões históricas em um território nacional, ou seja, de utilizar os mapas por antecipação para projetar e legitimar futuras ambições territoriais. Por exemplo, fronteiras contestadas como a Colonia do Sacramento, regi\ao disputada entre Portugal e Espanha, cujo conflito s]o se resolveria dentro do Tratado de Santo Idelfonso (1777).
Bibliografia:
Alegria, Maria Fernanda; Devau, Suzane; Garcia, João Carlos; Relaño, Frances. Portuguese Cartography in the Renissance (…)
Brian Harley, « Mapas, saber e poder », Confins [En ligne], 5 | 2009, mis en ligne le 24 avril 2009, consulté le 07 avril 2013. URL : http://confins.revues.org/5724 ; DOI : 10.4000/confins.5724
Cintra, Jorge Pimentel. O Mapa das Cortes: perspectivas cartográficas. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, vol.17, no.2. Saõ Paulo, July/Dec.2009.
Domingues, Francisco Contente. Cartografia Náutica. (…)
Furtado, Junia Ferreira. Guerra, diplomacia e mapas: a Guerra de Sucessão espanhola, o Tratado de Ultrecht e a América Portuguesa de D’Anville. TOPOI, v.12, n.23, jul-dez. 2011, p.66-83
Garcia, João Carlos; Moreira, Miguel. El geógrafo trabaja en su casa: espaços portugueses na produção cartográfica de Tomás Lopéz. Península, Revista de Estudos Ibéricos, nº 5, 2008: 103-125.

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